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FIPE, KBB e Molicar: qual a diferença entre as tabelas de referência?

Existem três tabelas de preço de carro no Brasil e elas não concordam entre si. Entenda como cada uma é feita e quando usar cada uma.

Publicado em 16 de abril de 2026

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Quem vai comprar ou vender carro no Brasil cedo ou tarde esbarra em três nomes: FIPE, KBB e Molicar. As três publicam preços de referência. As três têm metodologias diferentes. E o número que sai delas para o mesmo carro pode variar uns 10%, às vezes mais.

FIPE: a oficial

A Tabela FIPE é publicada mensalmente pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, da USP. Existe desde 1973, foi pensada como referência de mercado e virou padrão para tudo que envolve carro: financiamento, seguro, IPVA, divórcio, inventário.

O cálculo parte de uma cesta de preços anunciados, concessionárias, revendas, classificados, e gera um valor médio por marca, modelo, ano e versão. Não é o preço de venda. É a média do que está sendo pedido.

Por isso o anúncio quase sempre fica acima da FIPE. O vendedor pede mais para ter espaço de negociação, e a média da FIPE acaba representando algo próximo do que efetivamente fecha.

KBB: a importada que se nacionalizou

KBB é abreviação de Kelley Blue Book, referência centenária nos EUA. A versão brasileira chegou em 2017 com metodologia parecida, mas com pegada mais comercial: foco em concessionárias e revendedores que pagam para usar o serviço.

Em vez de uma média estática mensal, o KBB tenta dar três valores para o mesmo carro: preço de revenda (o que a loja paga no usado), preço sugerido de venda no varejo, e preço médio entre particulares. Essa segmentação é útil para quem está dos dois lados da negociação.

O viés é diferente da FIPE. KBB tende a refletir mais rápido movimentos de mercado, mas pode puxar valores para cima em modelos que as concessionárias estão tentando empurrar.

Molicar: a do mercado profissional

A Molicar surgiu em 1989 voltada para o setor automotivo profissional: bancos, seguradoras, frotistas, leiloeiros. Não é a mais conhecida do consumidor final, mas é a que move volume de operação.

A metodologia mistura dados de leilões, cotações de concessionárias e estimativas de mercado. Costuma ser ligeiramente mais conservadora que a FIPE, especialmente em modelos antigos ou com baixa liquidez.

Por que os valores diferem

Imagine um Civic 2020 sedan automático. FIPE pode dizer R$ 115.000. KBB sugere R$ 119.000 para o varejo. Molicar marca R$ 112.500.

A diferença vem de:

  • Fonte dos dados. FIPE usa anúncios públicos, KBB usa rede de parceiros, Molicar usa leilões e cotações fechadas.
  • Frequência. FIPE é mensal e fixa, KBB atualiza com mais flexibilidade, Molicar opera em janelas variáveis por segmento.
  • Propósito. FIPE foi feita para servir de referência neutra. KBB para guiar transação. Molicar para precificar risco em volume.

Qual usar em cada situação

A FIPE continua sendo a melhor referência para a maioria dos casos: comprar, vender, contestar valor de seguro, calcular IPVA. É gratuita, neutra e amplamente aceita.

O KBB ajuda quando você quer entender a faixa que a concessionária trabalha. Se está vendendo o seu na troca, o número de “revenda” do KBB é mais realista do que a FIPE.

A Molicar é interessante para quem opera volume, frotista, locadora, comprador em leilão. Para o comprador comum, ela aparece pouco.

O que importa na hora de negociar

Nenhuma das três é “o preço”. Todas são referências. O preço real é o que duas pessoas combinam em uma mesa.

Use a FIPE como ponto de partida. Olhe três ou quatro anúncios do mesmo modelo no Motorbase e nos classificados. Calcule a média. Compare com a FIPE. Se o anúncio está 5% acima e o carro tem boa procedência, é razoável. Se está 15% acima sem motivo, há margem para negociar.

Carro não tem preço único. Tem faixa. Quem entende a faixa negocia melhor.

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